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Xadrez vira trunfo contra baixo IDH em escolas da Baixada Fluminense

Notícia
Xadrez vira trunfo contra baixo IDH em escolas da Baixada Fluminense

Projeto Xeque-Mate leva jogo aos alunos do Ensino Médio. Cerca de seis mil alunos participam do projeto em Japeri.

Publicada em 07/06/2010.

O xadrez, um dos jogos mais antigos do mundo, está transformando a realidade de uma das cidades mais pobres do Rio. O município de Japeri, na Baixada Fluminense, tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do estado, o pior da Baixada. Agora, a prefeitura tenta mudar esse quadro através do xadrez. De acordo com a Secretaria municipal de Educação, cerca de 6 mil alunos do Ensino Médio participam do projeto Xeque-Mate, criado em 2009.

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O tabuleiro estendido no chão e as peças gigantes transformam o xadrez em uma brincadeira. (Foto: Bernardo Tabak/G1)

“A gente acredita que pode melhorar o nosso IDH através de projetos como o Xeque-Mate”, ressalta a secretária de Educação de Japeri, Miriam Paz. A Fundação Cide (Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro), órgão do governo estadual, apresenta Japeri na 77ª posição no ranking do IDH-M do estado, de um total de 92 municípios.

Hoje, 15 das 30 escolas de Japeri integram o projeto, que tem alunos de 8 anos até mais de 30 anos, das classes de Educação de Jovens e Adultos (EJA). O objetivo é fazer com que, através do xadrez, os alunos tenham avanços no desempenho escolar e um melhor comportamento na relação com os colegas e professores.

“Muitas vezes, é difícil fazer os alunos prestarem atenção às aulas. O xadrez é bom para a concentração, a paciência, a memória e a análise sintética”, observa Miriam, que tem 20 anos de magistério e é especialista em educação de crianças com dificuldade de aprendizagem.

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O coordenador do projeto e a secretária de Educação observam com satisfação os alunos em uma disputa. (Foto: Bernardo Tabak/G1)

Tabuleiro gigante

Para iniciar os estudantes, o projeto Xeque-Mate apresenta o jogo como uma brincadeira, sem enveredar pelas complexas estratégias e táticas do xadrez. Para isso, um enorme tabuleiro de plástico, com peças gigantes, permite que os alunos façam parte do jogo, literalmente.

O tabuleiro atrai principalmente as crianças, que, descalças, pisam sobre o tabuleiro estendido no chão, e movimentam as peças com cerca de meio metro de altura. “Desta forma, conseguimos despertar o interesse dos alunos”, explica o professor de Matemática Marco Antônio Govêa, de 40 anos, coordenador do projeto. “Depois, os alunos conseguem transpor o jogo para o tabuleiro convencional, e começamos a aprofundá-los nas estratégias de movimentos do xadrez”, acrescenta ele.

Projeto conquista população de Japeri

Ao contrário de muitas outras crianças da idade dela, Gabriella Marins, de 9 anos, prefere o xadrez ao videogame. “Enjoei. Hoje, eu gosto mesmo é de jogar xadrez na escola e em casa”, conta ela. Já Everton Lima, 11, diz que, depois dos estudos, se divide ente o xadrez e o futebol. “Ensino xadrez aos meus amigos para poder jogar com eles”, revela o menino.

O jogo virou mania a ponto de o tabuleiro ser disputado nos tempos vagos da escola. De acordo com os coordenadores do projeto, não só os alunos, mas os moradores de Japeri se empolgaram com a novidade. “Com as aulas, a gente despertou o interesse da população pelo jogo”, destaca Sheila Carmo dos Santos, uma das coordenadoras.

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Yasmin trava o primeiro duelo com Jeancarlo no tabuleiro que ela acabara de ganhar. (Foto: Bernardo Tabak/G1)

Aluna quer ser jogadora profissional Aluna e jogadora de xadrez, Yasmin Alves Barbosa, de 9 anos, ganhou um tabuleiro de presente da secretária de Educação, Miriam Paz. Entre os adversários estão até o vigia do colégio.

“Foi a Yasmin quem me ensinou a jogar”, recorda Jeancarlo de Morais, de 33 anos. “O Jean é um bom aluno, mas eu ainda ganho mais partidas”, orgulha-se ela, que melhorou as notas depois que começou a jogar. “Quando crescer, quero ser jogadora de xadrez”, sonha a menina.

“O xadrez não tem raça, nem cor. Todo mundo pode jogar”, diz a secretária de Educação. “Hoje, algumas escolas ainda improvisam as aulas de xadrez nos refeitórios”, diz Miriam Paz. “Mas queremos chegar a todos os colégios até o final de 2011, com salas apropriadas para fazer com que os 16 mil alunos do Ensino Médio aprendam a jogar”, conta Miriam.

Texto de: Bernardo Tabak

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro

Publicada em 07/06/2010.

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